Dicas do Freak! #07: Dando uma de psiquiatra ~

em sexta-feira, 14 de julho de 2017 |


Esquizofrenia. Com certeza é uma palavra muito forte, mas, você sabe o que é esquizofrenia?

De acordo com o nosso tão conhecido Google, a esquizofrenia é o termo geral que designa um conjunto de psicoses endógenas cujos sintomas fundamentais apontam a existência de uma dissociação da ação e do pensamento, expressa em uma sintomatologia variada, como delírios persecutórios, alucinações, esp. (percepção extra-sensorial) auditivas, labilidade afetiva, entre outros...

Em outras palavras, esquizofrenia é um distúrbio que afeta a capacidade da pessoa de pensar, sentir e se comportar com clareza.

A esquizofrenia é uma "ferramenta" utilizada por muitos escritores que tentam retratar alguma doença em seus personagens, mas a esquizofrenia é um distúrbio bastante complexo e exige uma boa pesquisa antes de ser retratado em fanfics e histórias originais, portanto, neste Dicas, irei explicar mais um pouco sobre a doença para auxiliar e facilitar o trabalho de algumas pessoas na hora de escrever. Porém, recomendo que, caso vá escrever sobre, pesquise bastante e utilize este texto apenas como uma base para que tudo saia o mais realista possível e agrade seus leitores!


 ➺ Afinal, o que é esquizofrenia e qual sua causa?


A esquizofrenia é uma doença mental crônica que se manifesta na adolescência ou no início da fase adulta. Sua frequência é no geral de 1 para 100 pessoas, havendo cerca de 40 casos para 100.000 habitantes. No Brasil, acredita-se que há cerca de 1,6 milhões de esquizofrênicos. Ela costuma atingir em igual proporção em ambos os sexos, porém, em geral, manifesta-se mais cedo em pessoas do sexo masculino, por volta dos 20-25 anos.

São desconhecidos todos os mecanismos cerebrais que promovem os sintomas da doença, mas sabe-se que se trata de uma doença química cerebral decorrente de alterações em vários sistemas bioquímicos e vias neuronais cerebrais.


➺ Quais são seus sintomas?

Os sintomas mais recorrentes da esquizofrenia são delírios, alucinações, pensamento desorganizado e a habilidade motora desorganizada ou anormal. Alguns outros sintomas que a doença pode apresentar:

1. Indiferença afetiva;
2. Não alterar expressões faciais;
3. Fala monótona e sem adição de que quaisquer movimentos para enfatizar;
4. Diminuição da fala;
5. Isolamento social;
6. Incapacidade de sentir prazer.


➺ A esquizofrenia tem cura?

A esquizofrenia é uma doença que necessita de tratamento, mesmo após o desaparecimento de seus sintomas. Terapia psicossocial e medicamentos são eficazes para o controle da doença e, durante os períodos de crise ou agravamento dos sintomas, a hospitalização é necessária para garantir segurança, alimentação, sono e higiene básica adequadas. O psiquiatra é o médico responsável pelo diagnóstico e pelo tratamento, que é principalmente medicamentoso.

Medicamentos antipsicóticos são os mais utilizados para o tratamento desta doença; eles controlam os sintomas, agindo sobre a desregulação dos neurotransmissores. Alguns exemplos de medicamentos bastante utilizados no tratamento da esquizofrenia são:

• Anafranil 
• Aripiprazol 
• Bromazepam
• Clomipramina
• Lexotan
• Risperidona

Somente um médico pode dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento são os mais indicados, pois varia de caso para caso, é necessário que siga a prescrição médica sempre à risca e em hipótese alguma se automedicar.

▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇

A esquizofrenia, caso não seja tratada corretamente, pode resultar em graves problemas emocionais, incluindo depressão, casos de fobias extremas, crises de ansiedade, agressividade excessiva e, em casos extremos, pode levar ao suicídio. Outras complicações incluem o uso de drogas, abuso do álcool, tabagismo e qualquer tipo de autolesão, além de isolamento social, conflitos familiares, improdutividade, entre outros.

Na hora de desenvolver a esquizofrenia em algum personagem, pergunte-se antes:

Quando os sintomas começaram? Esses sintomas são frequentes ou apenas ocasionais? Este personagem já tentou cometer suicídio? Ele já faz uso de algum medicamento para tratar desses sintomas?

Essas perguntas, além de serem de grande ajuda na hora de criar a história e desenvolver o personagem, também podem ser usadas como perguntas de um médico na hora de dar algum diagnóstico superficial sobre o estado do paciente, que neste caso, seria seu/sua personagem.

Atenção a mais um detalhe, em muitos casos, os indivíduos diagnosticados com a doença foram crianças tímidas, introvertidas, com dificuldades de relacionamento e com pouca interação social, eventualmente também com dificuldades de atenção.
Não estou dizendo que seu personagem precisa necessariamente ter sido uma criança introvertida, mas a mente e o corpo têm seus próprios modos de mandar esses "sinais", então, é importante que você se mantenha atento (a) aos pequenos detalhes.

Outra coisa bastante importante ao retratar doenças como a esquizofrenia é mostrar a reação dos familiares.
Alguns problemas que geralmente ocorrem em famílias com algum membro que possui esquizofrenia são: o medo, a negação da gravidade, a constante busca por explicações e a depressão. [1]

▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇▇

Por fim, gostaria de acrescentar mais um aviso: a esquizofrenia é uma doença real e muito séria, portanto, não a romantize ou banalize, pois isso pode ofender alguém ou até mesmo fazer com que seus leitores deixem de enxergar isto como uma doença e comecem a ver como algo a ser admirado ou apenas como algo da qual deveriam sentir pena.

Alguns retratos de esquizofrenia em audiovisual:

1. Uma mente brilhante (2001)
2. O Solista (2009)
3. Estamira (2006)
4. Esquizofrenia (2004)
5. Menos que nada (2012)
6. Duas Mentes (2012)
7. O senhor do labirinto (2014)
8. Nise ─ O coração da loucura (2016)
9. O Justiceiro Mascarado (2008)
10. As Vozes (2014)
11. Angel Baby (1995)

Então, é isso. Até o próximo Dicas do Freak; beijos, Cherry. ~

[1] Nota: um erro bastante comum, digamos assim, é retratar uma família completamente alheia ou que trata tudo com normalidade absurda. Não, eu não me refiro a um estado de negação, e sim a pais que observam o decorrer da doença sem demonstrar nenhuma suspeita ou qualquer tipo de preocupação. ↩





Nenhum comentário:

Postar um comentário